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O que acontece no corpo durante o orgasmo?
Primeiro, você fica besta, porque as modalidades racionais e o pensamento lógico são reduzidos no cérebro, resultado de um hipometabolismo dos lobos frontais. Daí, as regiões mais profundas e antigas, relacionadas aos instintos primitivos, às emoções e ao sistema de recompensa são ativadas: é o seu sistema límbico falando mais alto. "Hipocampo, hipotálamo e córtex pré-frontal são orquestrados pelo núcleo acumbens, que dispara a produção de dopamina, precursora da adrenalina, e serotonina", explica Jorge Pagura, neurologista, neurocirurgião e professor titular de neurologia e neurocirurgia da Faculdade de Medicina do ABC. Uma descarga de motivação e prazer aumenta a frequência cardíaca e respiratória e a pressão arterial, enquanto a ocitocina turbina o desejo e a sensação de conexão emocional. Depois da descarga elétrica, a amígdala chega para jogar água fria, ou melhor, endorfina. Ela desmancha prazeres, mas, acredite, é para o seu bem.Caso contrário, o corpo entraria em pane.
TRABALHO EM EQUIPE Essas são as partes do cérebro escaladas para a partida:
Hipotálamo
Hipocampo
Ínsula
Amígdala
Córtex pré-frontal
Núcleo acumbens
Começa o jogo aqui na cama Quando o sexo se inicia, a área límbica do cérebro passa a concentrar a maior atividade, embora ainda existam neurônios fazendo hora extra nos centros sensoriais da visão, da audição, do olfato e principalmente do tato, a estrela da equipe, na área parietal.
Substituição no time Algumas áreas são desligadas e outras ativadas. O hipotálamo e o hipocampo estão em plena atividade. Também rola uma exacerbação na entrada sensorial do cérebro, principalmente para estímulos vindos dos órgãos genitais. Ínsula, amígdala e regiões do tronco cerebral estimulam as vias que utilizam serotonina e dopamina. O clima esquenta e o suor aparece, na tentativa vã de esfriar os ânimos. O córtex pré-frontal vai para o banco de reservas e os lobos frontais para o vestiário: o racional sai de campo e o emocional domina a partida.
Gooool... Éééé do Acumbens! No orgasmo, o astro do sistema límbico é o núcleo acumbens, pequeno mas cheio de ginga. Ele faz a ligação entre o hipocampo, o córtex pré-frontal e a amígdala, disparando a produção de serotonina e dopamina. A adrenalina faz a torcida vibrar, dilata as pupilas, causa taquicardia, faz os pulmões trabalharem como se não houvesse o amanhã. É o pico de ação do centro de recompensa. A circulação de sangue é intensa no cérebro e nos órgãos genitais. Com o córtex pré-frontal fora da área, a sensação é de perda de controle.
Apita o árbitro A amígdala aponta o meio do campo e é fim de jogo. A endorfina normaliza a atividade cerebral.
Um homem pode ter orgasmo sem ejacular?
Sim, são coisas diferentes, embora estejam intimamente ligadas. O orgasmo acontece no cérebro e estimula a contração do órgão genital e a expulsão do sêmen. Se o homem já ejaculou várias vezes, pode ter orgasmo e não expelir nada, porque o estoque está zerado. Em alguns casos de ejaculação precoce, é comum que a saída de esperma seja tão rápida que nem dê tempo de sentir orgasmo. Pacientes que fizeram cirurgia de próstata e que não produzem sêmen também experimentam um sem desencadear o outro.
Quantos orgasmos alguém pode ter em uma única relação?
Mulheres podem alcançar orgasmos múltiplos, pois não têm período refratário (aquele tempo de pausa) e não existe número máximo definido. Homens garantem que conseguem também, com o sexo tântrico.
Treino
Geralmente, o orgasmo masculino já emenda na ejaculação. Quando ela acontece, não tem jeito: a descarga de endorfina e prolactina acaba com a ereção e é preciso esperar o intervalo de repouso para o cara se empolgar de novo. Mas praticantes do sexo tântrico conseguem adiar o escape de sêmen por horas, sem fazer disparar o mecanismo do desprazer, com exercícios de concentração e retenção. Afirmam ter vários orgasmos nesse intervalo.
Geralmente, o orgasmo masculino já emenda na ejaculação. Quando ela acontece, não tem jeito: a descarga de endorfina e prolactina acaba com a ereção e é preciso esperar o intervalo de repouso para o cara se empolgar de novo. Mas praticantes do sexo tântrico conseguem adiar o escape de sêmen por horas, sem fazer disparar o mecanismo do desprazer, com exercícios de concentração e retenção. Afirmam ter vários orgasmos nesse intervalo.
Habilidade
A excitação nas mulheres é diferente da dos homens, que precisam apenas de maior irrigação sanguínea no pênis para ter uma ereção. Elas não dependem apenas de fatores físicos - o emocional tem peso grande. Por isso, a descarga de endorfina e prolactina do clímax não tem o efeito de fim de festa. Se o estímulo continuar, é possível chegar lá muitas vezes. Existe uma disfunção, o Transtorno da Excitação Genital Persistente, que afeta mulheres: elas têm orgasmos com simples estímulos como ligar o secador de cabelo e andar de ônibus.
Dá para ter orgasmo dormindo?
Sim, com sonhos eróticos. Nas mulheres em período fértil, os hormônios estabelecem uma necessidade de sexo e o cérebro envia estímulos ao corpo que podem levar ao orgasmo, mesmo se ela estiver dormindo. Nos meninos, a excitação e a ejaculação durante a fase REM do sono é comum e se chama polução noturna. Pode ter como causa estímulos hormonais, vontades reprimidas ou a Scarlett Johansson.
E só pensando em sexo?
Sim, porque a estimulação é cerebral. Se for intensa e persistente, pode dispensar a manipulação dos órgãos genitais. A cantora Lady Gaga já disse em entrevista que consegue "dar um orgasmo a si mesma apenas pensando no assunto".
Qual a diferença entre orgasmo clitoriano e vaginal?
Existem várias teorias que tentam explicar. A biologia evolutiva ainda não entendeu completamente para que serve o orgasmo da mulher sob o ponto de vista da preservação da espécie. O masculino tem a função de estimular a ejaculação. O feminino, provavelmente de tornar o corpo receptivo ao ato. Embora possa, o canal vaginal não recebeu a missão de levar ao orgasmo, mas de receber o pênis. O clitóris, sim, é a região exclusiva do prazer. Algumas pesquisas dizem que o clímax clitoriano é mais superficial e o vaginal é mais intenso. Freud dizia que o primeiro era "imaturo", e o segundo, conseguido por mulheres com maturidade emocional. Médicos afirmam que orgasmo é orgasmo e ponto final. O clitóris, por ser externo, torna a estimulação mais fácil - por isso a maioria chega lá por esse meio. A vagina e o polêmico ponto G merecem atenção especial para despertar a mesma reação. O consenso é que o estímulo certo em condições propícias pode desencadear a balada no cérebro.
Quem grita durante o sexo sente mais prazer?
Não necessariamente. Um estudo das universidades de Central Lancashire e de Leeds, na Inglaterra, mostrou que os gemidos femininos são dissociados do orgasmo. Homens podem ter a sensação maior de virilidade e até chegar lá mais rápido. Mas o efeito é psicológico.
Por que algumas mulheres não conseguem ter orgasmos?
Por questões culturais e emocionais. "Mulheres são criadas para reprimir os desejos e os homens para explorá-los", diz o psiquiatra e psicólogo Carlos Alberto Aricó. Tem também uma questão instintiva nessa história: como elas produzem um óvulo por mês e eles milhões de espermatozoides, inconscientemente podem querer se entregar só ao futuro pai de seus filhos.
Quanto tempo dura o clímax?
Para os homens, 6 segundos, em média - depende do estímulo e da reação da próstata. Tem dia que ela se contrai pouco e o orgasmo é mais rápido. Com a idade, a sensibilidade também é reduzida. Nas mulheres, varia de 10 a 23 segundos, podendo ser estendido com a estimulação contínua. Cada espasmo dura, em média, 0,8 segundo. Um estudo da Escola Médica da Universidade de Minnesota chegou a conclusões mais animadoras. O tempo é praticamente o mesmo para ambos os sexos, de 20 a 30 segundos. Para alguns, o intervalo sobe para 30 até 90.
Por que o corpo treme durante o processo?
A contração da próstata mexe com terminações nervosas e músculos da coxa, e isso pode provocar tremores e espasmos. Na mulher, acontecem contrações em toda a região pélvica. Além disso, o orgasmo chega depois e um desgaste grande de energia e carga máxima de adrenalina, seguida por uma leva de endorfina. É como se você tivesse corrido por alguns minutos sem preparo físico e parado de repente. Nessas condições, a musculatura pode ficar trêmula.




